sábado, 30 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010

Queria arrancar do peito
A chama imensa que me consome,
Transformá-la em doce leito,
Afagar o que não dorme!
Suspiro contigo na mente
Acorrentado aos olhos teus,
Neste cativeiro eu me contente,
E viva triste em sonhos meus!
Porquê enfim me encarcerei?
Não te sei dizer…
Nem sei se algum dia saberei
Como foi que por ti me enlacei!
A chama imensa que me consome,
Transformá-la em doce leito,
Afagar o que não dorme!
Suspiro contigo na mente
Acorrentado aos olhos teus,
Neste cativeiro eu me contente,
E viva triste em sonhos meus!
Porquê enfim me encarcerei?
Não te sei dizer…
Nem sei se algum dia saberei
Como foi que por ti me enlacei!
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Só

Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.
Edgar Allan Poe
domingo, 3 de janeiro de 2010
O enforcado
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